Coronavírus: aprendizados para as escolas

A pandemia nos mostrou que não estávamos preparados para emergências, nem para educação digital; saiba quais lições as escolas podem tirar desse episódio

O mundo sofreu algumas pandemias nos últimos anos, mas nenhuma anterior obrigou ao isolamento social e suspensão das aulas como o surto do Covid-19 (Coronavírus). À medida que o mundo reage e, aos poucos, tenta voltar à normalidade, o blog da Ciranda de Livro reflete o que podemos tirar de lição para as escolas.

Embora o mundo nunca tenha passado por uma crise como essa, a pandemia do Covid-19 trouxe muitos insights para oferecer aos sistemas escolares em todo o mundo. Isso se aplica especialmente ao Brasil, no qual a grande maioria das escolas nunca ficou fechada por períodos longos.

Muitas escolas já perceberam que retornar ao “normal” não será mais uma opção, o que poderia ser uma alavanca importante para catalisar a transformação do sistema tão necessária na educação brasileira.  Então, quais lições podemos aproveitar para as escolas após a pandemia? Abaixo, destacamos 5 delas:

  1. Tecnologia integrada às escolas

Muitos países que fecharam as escolas, inclusive o Brasil, adotaram alguma forma de aprendizado remoto. O aprendizado on-line foi certamente um dos mais utilizados pelas escolas brasileiras, mostrando o potencial relacionado à integração da tecnologia na educação.

O aprendizado on-line ajudou muitos professores e diretores de escolas a se familiarizarem com o que a tecnologia pode oferecer, e esse nível maior de fluência poderá ser sustentado após a pandemia para ajudar o aprendizado dos alunos.

2. Envolvimento dos pais na educação

Existem várias maneiras possíveis de as escolas se fortalecerem devido à crise do Covid-19 e uma delas é se sustenta no envolvimento dos pais na educação. Estudos mostram que, quando os pais estão envolvidos na educação de seus filhos, principalmente fazendo perguntas sobre o que estão aprendendo na escola, os alunos se saem melhor.

As escolas podem construir esses relacionamentos significativos durante o aprendizado remoto e sustentá-los após o retorno à normalidade.

3. Oportunidade de melhorar a escola

Um princípio central na recuperação pós-crise é aproveitar o momento para melhorar a escola. Esse princípio pode ser aplicado a muitos elementos, como melhorar a acessibilidade para alunos com algum tipo de deficiência física, por exemplo.

Dependendo do contexto, também pode haver novidades para a infraestrutura do colégio. Por exemplo, as escolas podem ser reformadas e adaptadas com design mais aprimorado, tornando seu espaço muito mais aproveitado.

Encontrar maneiras de reconstruir melhor se baseia em todos os princípios discutidos anteriormente e fornece à escola diversas oportunidades em meio a crises.

4. Definição de planos em longo prazo

Aprendemos que o retorno à rotina da escola sempre leva muito mais tempo do que o previsto. Hoje, escolas em muitos países fecharam inicialmente por semanas, com prazos estendidos regularmente. Assim, é muito provável que o fechamento da escola dure meses, não semanas, e quanto mais cedo a comunidade escolar reconhecer isso e preparar uma resposta em longo prazo, melhor.

Segundo a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), durante uma crise, as atividades educacionais não devem ser concebidas como medidas de interrupção de curto prazo, mas como atividades de resposta rápida com objetivos de desenvolvimento de longo prazo.

Isso significa que, à medida que os gestores e professores da escola planejam atividades de aprendizado remoto, eles precisam encontrar maneiras pelas quais as atividades de resposta imediata possam estabelecer as bases para o alcance de metas de longo prazo.

5. Considerar possíveis danos

A continuidade da educação é uma das atividades de maior alcance para apoiar a resiliência e o bem-estar das crianças e reduzir a ansiedade durante uma emergência. Durante crises duradouras, a educação também oferece esperança para um futuro melhor, uma característica importante do apoio à resiliência natural.

Para colher esses benefícios, no entanto, é essencial que as atividades educacionais sejam seguras, apropriadas e inclusivas. Tempos de crise exacerbam a desigualdade e o princípio de “não prejudicar” é um imperativo para que qualquer ação não cause impactos negativos.

É imperativo que as escolas impactadas pelo Covid-19 usem o princípio de não causar danos. Isso significa fazer uma pausa para considerar as possíveis consequências não intencionais de curto e longo prazo das ações propostas.

Uma maneira de entender quais são esses riscos é envolver, mesmo que brevemente, os beneficiários pretendidos. Converse com alunos e famílias sobre os planos e obtenha feedback.

Não saberemos ao certo todas as possíveis conseqüências não intencionais, boas e ruins, desse fechamento das escolas sem precedentes. Mas a comunidade educacional deve pensar seriamente nos possíveis riscos e tentar encontrar maneiras de mitigá-los.

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