Como ser um professor disruptivo em tempos de educação híbrida?

Dicas para docentes se adaptarem à nova realidade educacional durante e pós-pandemia

Como o Covid-19 forçou o fechamento de escolas nos últimos meses, nossos professores foram encarregados de encontrar novas maneiras de apoiar os alunos, incluindo sistemas de ensino remoto e ensino em casa.

Todas as escolas passaram por uma disrupção nesse momento de pandemia, mesmo não sabendo o que é disrupção, lembra a diretora pedagógica das unidades do Colégio Cruzeiro (RJ), Ana Paula Batalha Soares. “Educação disruptiva demanda criatividade, exige desprendimento de práticas convencionais. Convoca-nos a revisitar e reformular o que chamamos de escola”, explica a diretora, ressaltando que isso não significa abandonar as velhas práticas. 

Para o diretor do Colégio Liceu Jardim (Santo André-SP), Daniel Contro, disrupção é toda inovação, atingindo um número grande pessoas, como por exemplo, quando surgiu a internet das coisas. “Na educação, os avanços são menos vistosos, caracteriza-se por micro inovações que cumulativamente se dão em disrupções”, ressalta.

Para Contro, a educação será radicalmente nova no pós pandemia. “Consigo prever maior oferta de materiais híbridos, de EAD”, afirma. Ambos os gestores participaram do painel “Como ser um professor disruptivo”, durante o Geduc 2020, do qual a Ciranda de Livro foi patrocinadora.

Aqui estão algumas dicas para ajudar professores a darem o salto para o ensino disruptivo bem-sucedido, utilizando metodologias inovadoras:

  • PBL – Metodologia ativa de ensino que gera a construção de conhecimento através de um problema (do inglês, Problem Based Learning).
  • Rotação para estações – Técnica de ensino híbrido baseada em criar diferentes ambientes dentro da sala de aula e formar uma espécie de circuito, permitindo que os estudantes abordem determinado conteúdo de diferentes maneiras.
  • Aprendizagem para pares – Nesse método de aprendizagem ativa, os alunos leem o conteúdo antes de irem à aula, respondem a perguntas pré-selecionadas pelo docente e ajudam uns aos outros com as principais dúvidas.
  • Ensino adaptativo – É uma metodologia de ensino que busca entender as necessidades de cada aluno e se molda para atender a cada um.
  • Aula invertida – Nessa proposta, o aluno irá aprender a matéria nova em casa, por conta própria, e estará em sala de aula contando com professores e tutores somente como apoio, para realizar a fixação do conteúdo.
  • FVM – O movimento maker, “faça você mesmo”, propôs nos últimos anos o resgate da aprendizagem mão na massa, trazendo o conceito “aprendendo a fazer”. 
  • Storytelling – Em tradução livre, significa “contação de histórias” e pode ser usado para ensinar e demonstrar, além de desenvolver a imaginação e a capacidade de interpretação dos alunos.

Inclusive, já fizemos um artigo aqui no blog da Ciranda de Livro sobre o poder do storytelling na sala de aula.

Cabe ao professor o papel de mediador ao utilizar qualquer uma dessas metodologias citadas. Vale lembrar que a disrupção exige que o professor tenha essa visão inovadora e tenha em mente que a ideia é ensinar ao aluno “como pensar”, mais do que “o que pensar”. A pandemia do coronavírus apenas acelerou essa mudança inevitável das escolas.

Inovação e outras palavras de ordem

A inovação é uma das palavras de ordem do século 21 e a formação deve fazer parte desta revolução para se adequar às exigências de um mundo cada vez mais complexo. Para enfrentar esses desafios, a tecnologia é uma aliada essencial na promoção de uma forma de educação disruptiva que coloque o aprendizado sob uma nova luz.

Educação disruptiva é, portanto, aquela que pretende romper com o modelo estabelecido para aprimorar o existente. E muitos especialistas acham que a mudança é necessária e urgente porque o sistema atual é anacrônico, ou seja, ainda está ancorado no século passado e não está atendendo às necessidades da era digital.

Utilizar a tecnologia para personalizar o aprendizado do aluno. Salas de aula centradas no aluno. Aprendizado híbrido. Em 2020, essas ideias são bem conhecidas na educação, a ponto de se tornarem também palavras de ordem.

Mas, dez anos atrás, elas eram novas e talvez melhor articuladas no livro “Inovação na sala de aula – como a inovação disruptiva muda a forma de aprender”, de Clayton Christensen, Curtis W. Johnson e Michael B. Horn. Inclusive, o professor da Harvard University Business School, Christensen foi quem cunhou o termo “disrupção”.

O livro questiona por que as escolas têm dificuldade para ensinar de maneira diferente, se cada aluno aprende de um jeito diferente. “A maioria de nós sabe, intuitivamente, que todos aprendemos de forma diferente – por métodos diferentes, em diferentes estilos e ritmos diferentes”.

Porém, é sabido que o atual sistema de ensino tende à padronização. Seja pela maneira pela qual instrui os professores, em que agrupa os alunos, seja pela maneira que os currículos são planejados e as instalações da escola são estruturadas.

De qualquer forma, o mundo está se movendo na velocidade da luz e requer pessoas curiosas, flexíveis e proativas. Isso, no caso da educação, não se aplica apenas a alunos, mas também a professores.

Se você já possui uma experiência como educador disruptivo, deixe nos comentários!

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