O que nos ensina os melhores livros infantis de 2020

Os títulos de destaque no Prêmio Jabuti e na tradicional lista da Revista Crescer trazem muitas lições; conheça alguns deles e saiba como eles agregam no trabalho dentro e fora da sala de aula

Seja como ferramenta para alfabetização, para desenvolver a linguagem, expandir a criatividade e imaginação ou mesmo como entretenimento. A leitura é um hábito que pode criar grandes amantes das letras quando introduzida com naturalidade na educação infantil.

E para que este hábito contribua com o aprimoramento de habilidades e da compreensão das crianças, é importante que o livro seja trabalhado em sala de aula, bem como fora, como atividade lúdica e prazerosa junto à família.

Vale lembrar que a leitura na infância contribui com o desenvolvimento das competências socioemocionais ressaltadas pela BNCC (Base Nacional Comum Curricular). São elas: autoconsciência, autogestão, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável.

Desta forma, estas habilidades devem ser contempladas pelo planejamento pedagógico das escolas ao seguirem as diretrizes da BNCC.

Pensando nisso, listamos aqui alguns dos melhores livros infantis de 2020 que podem ser levados para a sala de aula. São obras nacionais de renome, que ajudam a despertar pequenos grandes leitores junto a um plano de ensino alinhado ao futuro.

Além disso, podem contribuir com a forma como você atenderá às expectativas da própria BNCC, trabalhando cada uma das competências listadas. Confira!

Os melhores livros infantis de 2020

Todos os anos, são publicados os rankings dos melhores livros infantis do ano por organizações e veículos de renome.

Para melhor orientar suas escolhas, selecionamos obras de destaque no último Prêmio Jabuti, o mais tradicional reconhecimento literário do Brasil, realizado pela Câmara Brasileira do Livro desde 1959.

E ainda compilamos publicações de destaque na tradicional listagem da Revista Crescer, que no ano passado alcançou sua 15ª edição.

Acompanhe como estes livros em sala de aula podem contribuir com a aplicação das competências socioemocionais da BNCC.

“Da Minha Janela”, de Otávio Júnior

A obra foi vencedora da categoria Infantil do Prêmio Jabuti em 2020. Sua narrativa sensível conta o que o protagonista vê de sua janela, localizada em uma favela do Rio de Janeiro.

Logo, convida os pequenos leitores a observarem muitas cenas e pessoas que passam despercebidas no dia a dia.

“Da Minha Janela” pode contribuir com o desenvolvimento da competência socioemocional de consciência social, uma vez que esta visa exercitar a empatia, a forma como o estudante coloca-se no lugar do outro, assim como o respeito à diversidade.

“Pinóquio – O Livro das Pequenas Verdades”, de Alexandre Rampazo

Além de destaque na seleção da Revista Crescer, a releitura do clássico infantil recebeu o prêmio na categoria Criança do 46º Prêmio FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil).

Nesta versão, o autor explora diversas possibilidades de identidades pessoais e da autodescoberta, para que se rompam pré-julgamentos próprios.

Sendo assim, em sala de aula, o livro pode trabalhar a competência da autoconsciência, ou seja, o conhecimento pessoal sobre as próprias forças e limitações, voltadas ao crescimento.

“10 motivos para você vir logo aqui em casa”, de Pablo Lugones e Alexandre Rampazo

Mais um livro de Rampazo, desta vez assinado junto a Lugones. A obra aborda a ansiedade pela espera de alguém que está para chegar, a partir de um protagonista que constrói diversas possibilidades até o grande momento.

Esta publicação listada entre os melhores livros do ano contribui com atividades focadas na competência da autogestão, pois explora o gerenciamento do próprio controle do leitor, como também de suas metas e emoções, como, por exemplo, ansiedade e estresse.

“Ah… Nisso eu não tinha pensado!”, de Ludovic Souliman, Bruna Assis Brasil e Regina Machado

Neste conto selecionado entre os melhores livros do ano pela Revista Crescer, reflete-se sobre a proteção do próximo e a importância da fraternidade.

Sendo assim, ao trabalhar a solidariedade na sociedade, pode-se contribuir com o desenvolvimento das habilidades de relacionamento.

Esta competência socioemocional da BNCC refere-se a forma como estudantes devem aprender a ouvir o próximo, bem como se comunicarem de forma clara e objetiva, e cooperarem com a comunidade onde estão inseridos.

“O Rato e a Montanha”, Antonio Gramsci e Laia Domènech

Neste emocionante conto, um rato se arrepende de tomar um copo de leite que era o único alimento de uma mãe para seu bebê com fome.

A partir da história, que a Revista Crescer também destacou, é possível abordar a competência da tomada de decisão responsável.

Pois, uma vez arrependido, o rato engaja-se na busca pela solução que reverta seu erro. Vale lembrar que a história se baseia em um conto clássico da região de Sardenha.

Ele ganhou mais fama em 1931, com publicação de Antonio Gramsci. Logo, já tem engajado diversas gerações a interagirem de acordo com os padrões éticos de forma lúdica.

É hora da leitura!

Estudar as emoções por meio de histórias literárias é uma efetiva forma de aplicar os conceitos das competências socioemocionais com livros em sala de aula.

Pois, conforme orienta conteúdo do MEC (Ministério da Educação) sobre a aplicação da BNCC, elas são fundamentais para a promoção da educação em diferentes situações, tando dentro quanto fora das escolas.

E, segundo a instituição CASEL (Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning), de onde a BNCC inspirou-se para reforçar estas práticas, “investir em competências socioemocionais beneficia o aluno não apenas no desenvolvimento dessas competências, mas também no desempenho escolar de modo geral e na manutenção de uma sociedade pró-social“.

Para completar, deve-se ter em mente que trabalhar estas competências pela literatura infantil podem promover mudanças que vão além do desempenho acadêmico e cognitivo dos alunos.

Elas ajudam a melhorar o clima das atividades escolares, não só no presencial, como também no ensino híbrido. Pois trabalham a criação do respeito e empatia entre estudantes, docentes e até no âmbito familiar, contribuindo assim com a criação de uma sociedade melhor.

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