Educação afetiva: o que é e como colocar em prática

Também chamada de pedagogia afetiva, a educação afetiva é a prática que prevê a conexão entre aluno, professor e escola, algo essencial e que fará toda diferença em sua sala de aula

Afeto: substantivo masculino que define os sentimentos de afeição, a sintonia, o cuidado, o carinho entre pessoas. Termo que tem sido cada vez mais discutido em sala de aula, com a prática da educação afetiva.

Também conhecida por pedagogia afetiva, esta vertente reúne práticas de valorização do ser humano que podem contribuir com o processo de aprendizagem. E trabalhar com a educação afetiva pode ser uma estratégia para lidar com os desafios do ensino atualmente.

Você sabe como esta prática pode contribuir com seu plano pedagógico? Então siga com a leitura e acompanhe todas as informações que listamos sobre a educação afetiva!

O que é educação afetiva?

Primeiramente, precisamos entender o conceito de educação afetiva. Afinal, esta prática pedagógica vai muito além dos abraços.

Aqui, a troca de afeto entre estudantes e professores ocorre de forma estratégica, como uma forma de contribuir com o processo de aprendizagem, tornando as atividades mais leves, porém bastante produtivas.

“Sem afeto não haveria interesse, nem necessidade, nem motivação; e consequentemente, perguntas ou problemas nunca seriam colocados e não haveria inteligência. A afetividade é uma condição necessária na constituição da inteligência”.

Jean Piaget

A frase acima é do teórico Jean Piaget. O renomado autor diz que, no aprendizado, a união da inteligência e emoções é essencial. Portanto, na prática da pedagogia afetiva, o professor assume a função de transmitir o conteúdo em sala de aula com emoção, não somente baseando-se em memorização.

No artigo “A atuação do professor e a relação da afetividade e aprendizagem sob a perspectiva de Piaget e Wallon“, compartilhado pela revista científica núcleo do conhecimento, conclui-se que crianças que convivem em ambientes hostis, onde a afetividade não está presente, podem desenvolver até mesmo comportamentos agressivos em suas casas e na escola.

E este exemplo de dificuldade de interação social pode interferir diretamente no processo de aprendizagem. Sendo assim, ao aplicar a pedagogia afetiva na sala, o professor se compromete também com o desenvolvimento humano dos estudantes, o que contribui com o sucesso escolar.

Pedagogia afetiva e desenvolvimento humano: conheça os 5 estágios de Wallon

Outro teórico bastante renomado em pedagogia afetiva é Henri Wallon. E, segundo ele, a afetividade seria um dos instrumentos de sobrevivência inerentes ao desenvolvimento humano e social. Isto é apresentado no artigo “A Importância da Afetividade Para Uma Aprendizagem Significativa”.

Pensando nisso, Wallon classificou cinco estágios da vida, em que cada um revela sobre a relação do individuo com a afetividade de acordo com as fases. Conheça:

  • 0 a 1 ano: estágio impulsivo-emocional, quando o indivíduo traduz sua afetividade por movimentos e comunicação não-verbal.
  • 1 a 3 anos: estágio sensório-motor e projetivo, fase em que a criança já se comunica verbalmente e passa a se interessar pelo meio em que está inserida.
  • 3 a 6 anos: estágio do personalismo, que define o momento de diferenciação, a formação do individualismo.
  • 6 a 10 anos: estágio categorial, em que se compreende melhor as diferenças do eu e o próximo.
  • 11 anos a diante: estágio da puberdade, quando acontecem conflitos internos e externos na busca da própria identidade, autonomia e independência.

Logo, compreender cada uma destas etapas para criar estratégias de ensino baseadas na educação afetiva é interessante. Tais informações são “nortes” que contextualizam esta prática pedagógica.

3 formas de colocar a educação afetiva em prática

Agora que você já compreendeu melhor o conceito de educação afetiva, é hora de colocá-lo em prática em sala de aula.

Esta é uma opção para educadores que buscam, por exemplo, maior engajamento dos estudantes com as tarefas. Ou ainda para os que querem humanizar os ambientes escolares, que hoje estão cada vez mais digitais.

Portanto, esse tipo de interação afetiva permite agregar uma nova forma de conectividade entre professores e alunos, por meio do relacionamento interpessoal. Veja a seguir três maneiras de aplicar a pedagogia afetiva no seu dia a dia, baseando-se nas orientações compartilhadas por especialistas em matéria do Jornal Contábil.

1. Ouça os estudantes

Realize atividades em que eles consigam expor suas ideias e opiniões. Que tal uma roda de conversas sobre um determinado tema, por exemplo? Desta forma, você conseguirá ouvir o que eles têm a dizer. Para isso, trabalhe com empatia, entendendo o que o aluno está sentindo, seu contexto social e familiar. Não basta saber ouvir, é necessário ir além e usar as informações recebidas no aprimoramento das estratégias de ensino de acordo com cada realidade.

2. Abra portas para críticas

Assim como você possui muitas críticas positivas e negativas sobre seus alunos, eles também podem ter impressões e feedbacks sobre o seu trabalho. Desta forma, estabelecer um canal para troca de ideias e experiências pode engajar mudanças de comportamento dentro da sala de aula. Vale lembrar que todo diálogo deve acontecer com limite e respeito. As emoções podem vir “à flor da pele”, mas saber lidar com o que o outro está pensando é fundamental para que o afeto se faça presente em um ambiente transparente.

3. Atenção aos detalhes

Já percebeu que os laços de afetividade são marcados por detalhes? Então, isso também faz muita diferença na educação afetiva. Isso porque a relação entre estudantes e educadores pode ser ainda melhor quando um se atenta a detalhes pessoais do outro. Além disso, lembrar de algum filme, série, artista que o outro admira em uma conversa desperta a sensação de que existe uma atenção que vai além das notas. Então, atente-se aos detalhes e assim poderá despertar a emoção dos estudantes, surpreendendo-os quando menos esperam!

Educação afetiva em tempos de pandemia

Concluindo, o aprofundamento na pedagogia afetiva traz muitos benefícios, porque vai além da racionalidade. Logo, precisamos lembrar que estamos inseridos em um contexto em que o distanciamento social ainda se faz presente. Além disso, as nossas expressões faciais ainda estão “escondidas” sob máscaras. Para completar, evitamos também gestos como abraços e apertos de mão na rotina.

Mas ainda assim, é possível realizar conexões pessoais e humanas. Basta lançar mãos de atividades que despertam o afeto e superam os desafios atuais. Desta forma, elas agregam mais bem-estar e qualidade de vida – até mesmo mais saúde mental – na vida de todos os envolvidos na rotina escolar.

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